segunda-feira, 19 de outubro de 2009

2005 - Escapada ao centro interior de Portugal, efectuada de 06 a 09 de Fevereiro.

Nota: Este relato não será muito pormenorizado, em virtude de não ter diário de viagem escrito (só o faço nas férias), pelo que me vou basear nas fotografias e em folhetos obtidos e claro, naquilo que ficou na memória.

1º Dia - Algueirão/Góis

Saímos do Algueirão e fomos direito a Coimbra, tendo aqui seguido pela EN17, a conhecida estrada da Beira. Um pouco à frente de S. Martinho da Cortiça, virámos à direita para Arganil, onde parámos.
Arganil é uma vila na província da Beira Litoral, quase fazendo fronteira com a Beira Alta e pertence ao distrito de Coimbra. Tem um foral datado de 1175, nos últimos anos do reinado de D. Afonso Henriques.
Depois de saborear um café no centro da vila, fomos até ao Santuário de Nossa Senhora do Monte Alto, que está situado a 500 metros de altitude. É um santuário de devoção Mariana, cuja acessibilidade em ladeira, está marcada por várias capelas de interesse etnográfico.
Foi mandado construir em 1521 por Francisco Pires, sendo o actual edifício de 1796. O exterior do santuário é um excelente miradouro com vistas de rara beleza, abrangendo o vale do rio Alva, os contrafortes da serra do Açor e os campos que se estendem até à estrada da Beira.

No dia 15 de Agosto realiza-se a festa em honra de Nossa Senhora do Monte Alto, que atrai muita gente das vilas e aldeias vizinhas.
Seguimos depois pela EN 342 até Côja,onde virámos para a EN 344 seguindo a indicação para o Piódão. Nesta estrada parámos para admirar a beleza da paisagem.








A aldeia de Piódão é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal, pertence ao concelho de Arganil e está situada num encosta da serra do Açor.
As casas são na sua quase totalidade construídas de xisto e os telhados são cobertos por lages de lousa. As portas e janelas das casas são de madeira e pintadas normalmente em azul.







Os seus habitantes dedicam-se sobretudo à agricultura e em alguns casos à apicultura. Esta aldeia está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1978. Nos anos 80 do século passado, recebeu o galo de prata, que é uma condecoração atribuída à aldeia mais típica de Portugal.
Assim que chegámos e depois de estacionar no largo defronte da Igreja, fomos tratar de almoçar e dirigimo-nos para o Restaurante O Fontinha, que é um pequeno restaurante e que devido a estar cheio, tivemos de estar à espera no exterior.












O nosso almoço, nesta região não podia deixar de ser a famosa "chanfana", acompanhada de um bom vinho tinto da região e na sobremesa também não podia faltar a "tigelada".










Depois do almoço fomos então dar uma volta pelas ruas estreitas da aldeia e já no final fomos ver a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que sobressai do casario por estar toda pintada de branco.








Esta igreja foi construída no séc. XVII e reconstruída no final do séc. XIX. A sua arquitectura é composta por quatro torres cilindricas, rematadas por cones. No centro, ao cimo, encontra-se a imagem da santa padroeira.

No largo junto da igreja, encontra-se à venda muito artesanato e doces e bebidas locais. Depois da visita fomos para a AC e seguimos por estradas secundárias até Góis, onde pernoitámos no Parque de Campismo Municipal, junto ao rio Ceira.


2º Dia - Góis/Vendas de Galizes

Saímos do parque de campismo e seguimos pela EN342 até Côja, onde virámos para Benfeita e aqui seguimos as indicações para a Fraga da Pena, que está localizada na Mata da Margaraça a poucos quilómetros de Arganil.

A Mata da Margaraça é formada maioritáriamente por carvalhos, castanheiros, abrunheiros, azevinhos, cerejeiras-bravas e aveleiras. Faz parte da Área de Paisagem Protegida da serra do Açor e é desde 1985 propriedade do Instituto de Conservação da Natureza.

Na Fraga da Pena existe uma Cascata que tem a sua origem num acidente geológico e é considerada uma das mais valias entre os recursos naturais da paisagem protegida da serra do Açor. As águas que se despenham de uma altura que chega a atingir os 20 metros, correm por um vale na montanha.

Esta é uma zona de recreio e lazer, onde nos podemos relaxar e encontrar uma imensa paz interior.
Depois de permanecermos nesta área algum tempo, seguimos para Avô, que é uma bonita vila banhada pelo rio Alva e pela ribeira de Pomares, que ali tem a sua foz.

A vila de Avô tem origens bem antigas. Foi habitada por romanos que ali procuravam minérios de chumbo e ouro, tendo sido estes, muito provávelmente, os fundadores do Castelo, hoje em ruínas. Foi também povoada pelos mouros e reconquistada por D. Afonso Henriques. Para além das ruínas do castelo, que incluem também as ruínas da Ermida de São Miguel, do séc. XVI, a vila possui outros monumentos como a Igreja Matriz, do séc. XVIII, ou o Plourinho, do séc. XIV.

Seguimos pela estrada N342 e fomos dar à Ponte das Três Entradas. Esta localidade é assim chamada por ter uma ponte com três entradas, sendo em forma de "Y" e que possívelmente é única no mundo.

Ela ergue-se sobre o rio Alva e o Alvôco e liga três freguesias que são: Santa Ovaia, São Sebastião da Feira e Aldeia das Dez.
Da Ponte das Três Entradas seguimos pela N230 e fomos sair a Vendas de Galizes, onde fomos visitar um familiar, que já não nos deixou sair sem jantar e onde acabámos também por passar a noite.

3º Dia - Vendas de Galizes/Vouzela

Saímos de casa deste familiar depois de termos tomado o pequeno almoço e fomos pela estrada N17 até ao cruzamento para Seia, onde virámos à esquerda pela N231 e seguimos nela até Nelas. Em Nelas, apanhámos a estrada N234 para Mangualde, onde demos uma volta sem sair da AC.
Seguimos depois para Fornos de Algodres e daqui até Algodres, tendo depois apanhado a estrada para Cortiçô, que é uma freguesia do concelho de Fornos de Algodres, onde fomos ver a Anta de Cortiçô, também conhecida por Dólmen da Casa da Orca, e que é um monumento megalítico que se calcula date de 2900-2640 a.C..

A câmara, de planta poligonal, tem aproximadamente 2,5 metros de diâmetro por 3 metros de altura e é composta por oito esteios inclinados para o interior, dois dos quais se encontram tombados. Foi declarado Património de Interesse Público em 1992.
De Cortiçô seguimos para Maceira e nesta estrada começámos a ver neve nos campos e nas laterais.














Continuámos então a nossa viagem com destino a Viseu e quando lá chegámos procurámos o parque de campismo da Orbitur, no Fontelo, mas verificámos que o mesmo se encontrava encerrado.
Depois de consultar o mapa dos parques de campismo, resolvemos ir apanhar o IP5 e sair na direcção de Vouzela, onde ficámos no Parque de Campismo Municipal.

4º Dia - Vouzela/Algueirão

Saímos do parque de campismo e voltámos para
Viseu.
Viseu é uma cidade sede de distrito na região centro e é muito antiga, remontando a sua origem à época castreja. D. Afonso Henriques teria nascido nesta cidade em 5 de Agosto de 1109.

Fomos visitar a , que começou a ser construída no séc. XII, no reinado de D. Afonso Henriques. No séc. XIII, procedeu-se a uma renovação profunda do edifício e já na Idade Moderna sucederam-se novas obras. Em 1635 ruiu uma das torres medievais, arrastando consigo o portal manuelino. O interior é de uma beleza invejável.










A seguir fomos ver o claustro.No mesmo largo, ao lado da , encontra-se o Museu Grão Vasco situado no antigo palácio dos bispos, do séc. XVI.Ainda no mesmo largo, mas em frente da , encontra-se a Igreja da Misericórdia que data do séc. XVII, sendo a sua fachada da segunda metade do séc. XVIII.Fomos ainda à Cava do Viriato, que é um acampamento militar romano ou árabe, construído em 137 e 136 a.C., o qual é Monumento Nacional desde 1910. Tem 2000 metros de perímetro e uma área de 38 hectares.













Fomos depois almoçar num dos muitos restaurantes do centro da cidade e escolhemos um prato regional, mas que já não me recordo o que foi.
Depois do almoço iniciámos a viagem de regresso, tendo entrado no IP3 até Penacova e a seguir fomos pela N236 para a Lousã, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Cernache do Bonjardim.








Seguimos para Ferreira do Zêzere pela N 238 e depois pelo IC3 até entrar no IP6 na zona do Entroncamento, indo mais à frente entrar na A1 para Lisboa e Algueirão, chegando assim ao fim desta curta viagem.

13 comentários:

Graça e Paulo Doutel disse...

Apesar de Portugal ser pequeno, tem sítios muito interessantes e que muita gente, se calhar, nunca ouviu falar...

Guidinha Pinto disse...

Olá. Não sei como vim aqui parar, mas escreveu Góis no relato pormenorizado e muito bem construído. Só não passou por lá. É que se tivesse lá ido, teria ficado, mesmo sem nenhum familiar por perto;) Iria gostar muito, de certeza e teria tirado imensas fotos. A Serra da Lousã está junta à do Açor. Numa próxima viagem vá até lá.
Fique bem.

Guidinha Pinto disse...

Olá outra vez. Ai ai. Peço desculpa, mas realmente há uma foto de Góis. É no parque de campismo, não é? Pois ... de novo apresento as minhas desculpas.
Ela é tão pequenina :(

João Morgado disse...

Olá Guidinha!
Não tem que pedir desculpa. A foto de Góis é realmente do parque de campismo, o qual é muito agradável.
Um abraço

Vagamundos disse...

Pode ter sido uma pequena viagem, mas os locais percorridos são cheios de encanto. Piodão é uma localidade com um encanto especial. Soube-nos bem este passeio por terras lusas... deu para matar saudades!
Abraço

Jupp disse...

Parabéns por mais um belo momento. Não me canso de dizer que é um prazer ler este blog, pois além de descrever a viagem permitindo a quem lê fazer a mesma, também tem a vertente cultural com dados sobre a(s) localidades visitadas.
Continuação de magnificas viagens

João Morgado disse...

Graça e Paulo,
Realmente o nosso país é muito lindo. É pena não ser mais explorado turísticamente. Vejo lá por fora lugares de pouco interesse e que são muito bem aproveitados.
Um abraço.

Guidinha,
Pois é mesmo verdade, estive em Góis mas só mesmo no parque de campismo para pernoitar e não vi nada. Prometo-lhe que visitarei quando se proporcionar.
Um abraço.

Olá Vagamundos,
Fico contente que tenham passeado comigo. Eu quando viajo através de outros, costumo ir ao Google Earth localizar os lugares. É uma maneira de viajar também.
Beijos e abraços.

Jupp
Obrigado pelas suas sempre simpáticas palavras. A ideia do blog é precisamente não guardar só para mim as experiências vividas. Mas também lhe digo que ao publicá-lo, para mim é um reviver estes momentos, pois tenho de consultar o meu diário de viagens que faço sempre, ver fotografias e filmagens, que de outra maneira eram capazes de ficar esquecidas a um canto.
Um abraço.

Dubis disse...

João,

Excelente post, não conheciamos esta zona do nosso país mas com a sua descrição sentimos que já conhecemos mas com vontade de conhecer pessoalmente!
A Aldeia de Piodão faz-me lembrar imenso a Aldeia de Folgosinho no Parque Natural da Serra da Estrela, que é linda, conhece?

Abraços,

Dubis

Tânia disse...

Vendo os comentários tenho que deixar a minha arca concordando com o facto d eter-mos um dos paises mais belo que existe, e infelizmente isso muitas vezes não é reconhecido por nós próprios, mas a verdade é que penso que isso com o tempo está cada vez mais a mudar, e armando-me e "advinha" penso que o futuro de portugal passa cada vez mais pelo turismo! é muito importante marcar-mos que portugal têm mais do que algarve.

João Morgado disse...

Dubis,
Agradeço o vosso comentário e podem crer que esta região de Portugal, mas não só, é linda. Conheço-a desde miúdo até porque tenho família espalhada por lá. Quanto a Folgosinho, também conheço e é muito semelhante.
Um abraço

Tânia,
Obrigado por teres viajado comigo, pois a ideia do blog é precisamente divulgar os lugares que visito e concordo contigo, quando dizes que o nosso país é lindo e podes crer que tem muito para ser explorado. Felizmente estamos aos poucos a divulgá-lo turísticamente e também nos cabe a nós essa missão. Fui espreitar o teu blog que achei com um bom início. Desejo-te sorte.
Beijos

Mário disse...

Parabéns !
O blog está excelente !
Os seus relatos são fantásticos.Fiquei fã.
Já agora...quer dar uma opiniao do parque de campismo de Vouzela ?
Obrigado, e continuação !!!

João Morgado disse...

Mário,
Obrigado pelo seu comentário e por me ficar a seguir. Quanto ao parque de campismo de Vouzela, note que já passaram mais de 4 anos e só lá fiquei esta vez, mas por aquilo que me recordo, não desgostei.
Um abraço

Su disse...

Olá João! Espero que em breve eu vá a Portugal, em minha ultima viagem a europa eu quis muito ir, tinha até uma amiga lá, mas não deu, praticamente nao havia passagens e as que tinhas estavam caríssimas, então nao consegui. Mas da proxima vez irei com certeza!! Beijos!