sábado, 31 de outubro de 2009

2005 - Escapada a Granada realizada de 25.05 a 29.05

No mapa abaixo está apresentado o percurso efectuado.Escapada a Granada, realizada de 25.05 a 29.5, com visitas a Aracena, Córdoba e Sierra Nevada, num total de 1566.6 quilómetros percorridos.
Nota: Para esta descrição socorri-me das fotos e da filmagem que efectuei, uma vez que, como já disse anteriormente, só faço diário nas viagens das férias.

1º Dia - Algueirão/Aracena

Saímos do Algueirão e fomos apanhar a A2, tendo saído na saída 10 para o IP8 em direcção a Beja e contornando a cidade, entrámos na N260 passando por Serpa e seguindo até Vila Verde de Ficalho, por onde entrámos em Espanha.
A partir da fronteira seguimos pela N433, que é a Carretera Lisboa-Sevilha e passámos logo a seguir em Rosal de la Frontera, tendo seguido para Aracena.
Um pouco antes passámos ao lado de Jabugo, que é o centro de produção do famoso presunto serrano, vendo-se à beira da estrada várias casas da especialidade com os mesmos pendurados.
Ficámos a cerca de 3 Km de Aracena, no Camping Aracena Sierra.

2º Dia - Aracena/Córdoba

Saímos do camping e fomos para o centro de Aracena. Aracena é um município na província de Huelva, comunidade da Andaluzia. Está situada na serra do mesmo nome, que faz parte do Parque Natural de la Sierra de Aracena y Picos de Aroche, e que se espalha no sopé do monte onde se encontra o castelo que dominou a região durante séculos.
Subimos ao Castelo, construído no séc. XIII sobre uma antiga fortaleza muçulmana. Segundo alguns estudiosos, parece ter sido dos Cavaleiros da Ordem de Santiago.
A entrada no castelo faz-se ao cimo de uma íngreme ladeira, através de uma majestosa portada sineira, cujo arco serve de porta.
Demos a volta a todo o perímetro do castelo, do qual só restam ruínas e donde se tem uma vista sobre a cidade e as serranias ao redor.
Dentro do castelo encontra-se a Iglesia de Nuestra Señora del Mayor Dolor, que é a paróquia mais antiga de Aracena.
Começou a ser construída, em estilo gótico, no séc. XIII, sobre fundações mudéjares, pelos Cavaleiros Templários, tendo as obras parado durante o séc. XIV e só voltando a recomeçar no séc. XV. Consta de três naves com coro e átrio. No interior destacam-se as abóbodas e no exterior a Torre mudéjar.
Depois da visita ao castelo e à igreja fomos visitar a Gruta de las Maravillas, que fica à entrada da cidade e que é a principal atracção turística desta.
Diz-se que foi descoberta por um pastor nos finais do séc. XIX e foi aberta ao público em 1914. É uma caverna de formação calcária, onde se combinam formações de estalagmites e estalactites, formando belas câmaras ricamente iluminadas, uma das quais com um lago. Tem mais de 2000 metros de extensão, mas só 1200 são visitados. Foi cavada pelas águas ao longo de milhares de anos. Após esta visita fomos para a AC e continuámos pela estrada N433 até apanhar a N630 para Sevilha, onde entrámos na A4 (Autovia del Sur) até Córdoba, tendo ficado no Camping Municipal El Brillante.Córdoba era a cidade mais povoada do mundo e uma das primeiras a ter iluminação pública. No séc. X, Córdoba atingiu o seu apogeu. Naquele tempo Córdoba era a cidade mais próspera da Europa. A partir do séc. XI, como consequência da Guerra Civil (1009-1031), o domínio mouro é perdido e ocorrem uma série de alterações. Córdoba é um exemplo da fusão entre a cultura islâmica e cristã.
Em 1984 o centro histórico de Córdoba foi inscrito como Património Mundial pela Unesco e 10 anos mais tarde, foi também englobada a Mesquita.
Depois de nos termos instalado, saímos e fomos a pé para o centro da cidade. No trajecto verificámos que às 17.30 estavam 42º C.
No centro, fomos primeiro até à Judiaria ou Bairro Judeu, que é formado por ruas estreitas onde se vêem jardins e pátios coloridos com flores.Devido às elevadas temperaturas que aqui se fazem sentir, houve necessidade de criar dentro das casas, espaços frescos e foi assim que se criaram os pátios. Com o objectivo de fomentar os gostos e preservar esta tradição, foi criado em 1981, o Festival dos Pátios Cordobeses, que decorre no mês de Maio. É com muito orgulho que os Cordobeses abrem as portas das sua casas e exibem os seus pátios aos turistas que por ali passem.
Este bairro fica perto dos principais edifícios da cidade árabe.
Fomos depois até à Mesquita, que se encontrava fechada e demos a volta toda ao quarteirão ocupado por ela. No exterior pudemos admirar a sua Torre barroca do séc. XIII e mais à frente um pequeno altar dedicado à Virgen de los Faroles, que é muito venerada em toda a cidade.Havia também algumas charretes, puxadas por cavalos, que davam a volta pelas imediações.
Seguimos para a Plaza del Triunfo, onde se situa a Puerta del Puente , que antes era um dos poucos acessos à cidade.Esta porta, tal como a vemos hoje, começou a construir-se em 1572 no mesmo local onde outrora se localizava a porta romana e a muçulmana, que já estavam muito degradadas. Devido aos custos da obra terem disparado, a mesma foi suspensa só tendo sido concluída no séc. XX.
Logo a seguir atravessámos a Ponte Romana sobre o rio Guadalquivir, que foi construída pelo Imperador Augusto, durante a era romana, sobre 16 arcos a qual liga a parte central da cidade ao Campo de la Verdad, no outro lado do rio.
No meio da ponte está a imagem de S. Rafael, que é o santo protector da cidade e que estava rodeada de velas a arder, o que deixava a parede à volta toda preta do fumo.
No final da ponte fomos dar à Torre de la Calahorra, que é uma fortaleza árabe construída em 1369 para defender a ponte romana e que hoje abriga o Museu de História da Cidade. No séc. XVIII foi usada como prisão e no séc. XIX foi escola de raparigas.
Continuámos em frente e fomos dar a uma feira, com uma entrada espectacular. A mesma é feita através de uma portada monumental com 140 metros de comprimento e 45 metros de altura. À noite está toda iluminada, o que lhe dá um aspecto ainda mais atraente. Viemos a saber que era a Feria de Nuestra Señora de la Salud, que é uma feira que teve a sua origem em 1284 e que se realiza anualmente, durante os dois últimos fins de semana do mês de Maio, junto ao rio Guadalquivir, no recinto de El Arenal desde 1994. Tivemos sorte pela coincidência da nossa visita com a realização da feira, pois não estava programada e até desconhecíamos que decorria nesta data. Havia muita gente e viam-se muitas mulheres trajando aqueles fatos de cigana ou flamenca.
A feira tem um carácter popular e aberto. Logo à entrada apanhámos um mini-comboio que nos levou através da feira até ao final desta, onde se situavam os divertimentos, carrosséis e muitos bares e barracas de petiscos.
Demos por lá uma volta e começámos a percorrer a feira no sentido inverso. Em toda a feira havia diversas tendas ou pavilhões e muitos restaurantes. Acabámos por ir jantar a um deles e no final demos mais uma volta e verificámos que já havia muito mais gente.
Quando nos viemos embora tivemos oportunidade de ver a portada da entrada, que neste caso era a da saída, toda iluminada.Atravessámos novamente a ponte romana, que agora à noite também estava toda iluminada, bem assim como a mesquita. Eram 23.30 e estavam 27º C. Chegámos ao camping às 00.30, com os pés doridos de tanto andar.

3º Dia - Córdoba/Granada

Saímos do camping com a AC e fomos para o centro.
Estacionámos numa rua junto ao rio Guadalquivir e fomos a pé, tendo atravessado a Ponte Romana.
Fomos até à Mesquita que hoje já estava aberta. A Mesquita foi mandada construir em 780, por Abdul Rahman I, que queria uma mesquita como as do califado de Damasco, onde a sua dinastia tinha sido abolida. As suas fundações foram iniciadas em 785, no local onde antes se encontrava uma igreja visigoda, a igreja de S. Vicente. As primeiras obras de ampliação tiveram lugar entre 832 e 848 e as 110 colunas de mármore passaram para 200. Oitenta anos depois a Mesquita sofreu novas ampliações, ganhando o seu aspecto definitivo em 912. Actualmente ela ocupa uma área de 23400 m2, tem quase 500 arcos e colunas que se sobrepõem. Já foi a maior mesquita do mundo islâmico e o primeiro monumento muçulmano no ocidente. No séc. XVI, por vontade da igreja católica, foi construída uma catedral no seu centro, que levou 234 anos a ser terminada.
Entrámos pela Puerta del Perdón e vimo-nos no grande Pátio de los Naranjos.

Depois de adquirir os bilhetes de acesso à Mesquita, entrámos nesta pela Puerta de las Palmas e deparámo-nos com um verdadeiro bosque de colunas, que faz do seu interior uma indescritível beleza.

A Mesquita foi consagrada como catedral cristã, no mesmo ano em que Córdoba foi reconquistada, em 1236.
Depois desta visita, seguimos para o Bairro Judeu e fomos visitar a Sinagoga, que é um templo hebreu construído em 1315 (5075 no calendário judeu), em estilo mudéjar com inscrições em hebraico.

Consta de um pátio, ao qual se acede vindo da rua, que dá passagem para um vestíbulo seguido de uma sala de oração de planta quase quadrada (6,95x6,37 metros), com uma altura de mais de 6 metros. Depois da expulsão dos judeus em 1492, o edifício serviu para diversas funções. Foi declarado Monumento Nacional em 1885 e desde então passou por várias fases de restauração, sendo a última em 1977 para reabrir em 1985. É uma das três sinagogas que ficaram de pé em toda a Espanha, a par com as duas de Toledo.
Da Sinagoga dirigimo-nos para o Alcázar de los Reyes Cristianos, também conhecido como Alcázar de Córdoba, que é um castelo medieval próximo do rio Guadalquivir, construído em estilo gótico, em 1328, por Afonso XI. Ele tomou o nome dos Reis Católicos: Isabel de Castela e Fernando II de Aragão, por ter servido como uma das suas principais residências. Em 1810, durante a Guerra Peninsular, o alcázar serviu como guarnição para as tropas de Napoleão Bonaparte e em 1821 tornou-se numa prisão. Hoje só restam três das quatro torres que o ornamentavam e da Torre dos Leões, à qual subimos, pode-se apreciar a cidade antiga e a ponte romana.

Andámos depois a passear e a admirar os jardins de influência moura, que são originários dos séc. XVIII e XIX e têm jogos de água, mosaicos e um sarcófago do séc. III.

Quando saímos fomos à procura de um restaurante para almoçar e escolhemos o Restaurante El Burlaero, que ficava num pátio junto à Mesquita e ao Bairro Judeu.
Depois do almoço andámos a vaguear um pouco pelas ruas e passámos na Calle das Flores , que tinha muitos vasos pendurados nas paredes.

Voltámos a atravessar a Ponte Romana e fomos para a AC, indo a cerca de 8 Km visitar o Conjunto Arqueológico Madinat Al-Zahra, que era uma cidade palatina construída durante o domínio muçulmano, no ano 936, a mando de Abderramão III, primeiro califa do Al-Andalus. Foi destruída e saqueada em 1010, por uma guerra que levaria ao colapso do califado.

Actualmente prosseguem os trabalhos de escavação e recuperação da cidade, iniciados em 1911, encontrando-se ainda apenas 10% a descoberto. Uma das zonas já a descoberto é o Salão Rico, que foi construído entre 953 e 957 e é a jóia destas ruínas, pela sua fabulosa decoração de pedra talhada com motivos vegetais e geométricos, que cobre as paredes, arcos e capiteis.

Depois de mais esta visita, seguimos pela estrada N432 até Granada, onde fomos ficar no Camping Sierra Nevada.


4º Dia - Granada

Saímos do camping a pé e fomos à estação central, que ficava perto, apanhar um autocarro para o centro da cidade.Granada é uma cidade situada no sopé da serra Nevada a uma altitude média de 700 metros. É povoada desde os tempos dos Iberos (séc. VIII a.C.). Ela representa o final da reconquista cristã da Peninsula Ibérica, por ter sido a última cidade a ser tomada aos mouros pelos reis católicos.
Quando da tomada da cidade, os cristãos instalaram-se na parte plana, cujo centro era a catedral e obrigaram os mouros a viver no Albaicin, que é um bairro que fica numa elevação da cidade.

Saímos do autocarro junto à Catedral, mas como ainda se encontrava fechada fomos dar uma volta pelas ruas adjacentes.
Passámos ao lado da Iglesia de Santa Ana e San Gil, que é do séc. XVI e é Monumento Nacional e apanhámos um autocarro para o Bairro Albaicin.
Este bairro estende-se pela colina que se levanta em frente da Alhambra e as suas ruas estreitas trepam pela colina, ladeadas por casas brancas, algumas das quais com miradouros no cimo.






Fomos até ao Miradouro de San Nicolás, que fica na praça do mesmo nome e donde se tinha uma extraordinária vista sobre a cidade e também sobre a Alhambra que fica no outro monte defronte.Nesta praça encontra-se a Iglesia de San Nicolás, que foi incendiada durante a Guerra Civil. Actualmente só abre as suas portas em ocasiões especiais.Descemos depois a pé, através de ruas íngremes e escadarias até à parte plana ao fundo e ...
...fomos pela Calle Reyes Católicos, passando pela Chancelariaaté à Catedral que visitámos. Esta Catedral construída de 1528 a 1543, é uma das obras que representam o renascimento espanhol. Dentro da nave encontra-se a porta original da Capela Real, que ficou encerrada no seu interior, quando a catedral foi construída nos terrenos anexos. O seu estilo medieval faz um contraste curioso com as colunas do templo neo-romano.Saímos da catedral e fomos visitar o Sagrário, que é uma igreja construída em 1706, que se encontra no conjunto de templos que se conhecem como "a catedral". Durante muitos anos, depois da conquista da cidade, a mesquita que se encontrava aqui, continuou servindo como catedral, até se terminar a nova construção ao lado.Fomos a seguir à Capilla Real, que foi mandada construir pelos reis católicos, para servir de mausoléu a toda a sua família. Começou a construir-se em 1506 e terminou em 1521. É de planta de cruz latina e o cruzeiro fica fechado por uma espectacular grade dourada.Passando esta, encontramo-nos perante os túmulos dos reis católicos à direita e da filha e genro à esquerda.Mais alguns membros da família real foram enterrados aqui, mas o seu neto Felipe II, preferiu ir para o Pantéon de los Reyes que criou no Monasterio de San Lorenzo del Escorial.
Após estas visitas, atravessámos a Alcaiceria, que fica ao lado da Capela Real e é uma réplica muito mais pequena do Bazar que sobreviveu até ao séc. XIX, quado foi destruído por um incêndio. Hoje ela está dedicada a lojas de recordações turísticas, artesanato e sedas, muitas sedas.
Fomos dar à Calle Reyes Católicos e passámos na Plaza Isabel La Católica, onde se encontra um monumento com a Raínha e Cristóvão Colombo.Continuámos por essa rua e subimos à Alhambra, que é uma cidade amuralhada que se localiza numa elevação a sudeste da cidade. Trata-se de um complexo palaciano e fortaleza. No interior deste complexo fica o Palácio de Carlos V, erguido em 1527 em planta quadrada, com pátio circular.Na Alhambra encontravam-se todos os serviços necessários para a população que ali vivia. A maior parte deste complexo foi construída entre 1248 e 1354 e mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem. Em 1821, um sismo causou muitos estragos e o trabalho de restauro começou em 1828. Em 1984 foi declarado pela Unesco, como Património Cultural da Humanidade.
Outro palácio é o Palácio dos Leões, construído em 1377 em planta quadrangular, rodeado por uma galeria com 124 colunas de mármore branco, dando para o Pátio dos Leões, onde se encontra a Fonte dos Leões. Este palácio faz parte dos Palácios Nazaires.
Fomos a seguir ao Generalife, que é uma vila com jardins, ao lado da Alhambra. Era utilizada pelos muçulmanos como lugar de descanso. Foi construída em meados do séc. XIII e sofreu várias modificações e reconstruções ao longo dos séculos. Também daqui se via toda a cidade.Subimos à Torre del Cubo e à Torre de la Vela e passeámos pelos jardins.Regressámos depois para junto da catedral, onde apanhámos novamente o autocarro para o camping.


5º Dia - Granada/Algueirão

Saímos do camping e fomos pela A395 até à Sierra Nevada, que fica a apenas alguns quilómetros de Granada e é uma das melhores estâncias de ski de Espanha. Tem várias escolas de ski e várias pistas, que funcionam em média 6 meses por ano.
A Sierra Nevada foi declarada pela Unesco em 1986, como Reserva da Biosfera. Em 1989 a Junta da Andaluzia declarou-a Parque Natural e em 1999, foi declarada Parque Nacional, pelos seus valores botânicos, paisagisticos e naturais.

Estacionámos num largo a mais de 2500 metros de altitude, que era o último lugar onde se podia ir de carro.

A partir dali subimos pela montanha até à Virgem das Neves, que é um monumeto com a imagem da virgem.

Voltámos a descer e já na AC iniciámos o regresso a casa, indo direito a Sevilha e a partir desta cidade, seguimos práticamente pelas mesmas estradas até chegar ao Algueirão e assim terminar estes dias de veraneio.

5 comentários:

Rosa Maria disse...

Caro João
Como sempre imagens maravilhosas, num roteiro fantástico e muito bem ilustrado.
Um forte abraço

Mendes disse...

Caro João!
Outro percurso que nos deixa com vontade de por o pé na estrada, parabéns pela riqueza de detalhes na descrição da viagem...
Abraços
Mendes

Lu disse...

Lindo mesmo João, há muito que ando para fazer essa viagem e este post é mais uma motivação para o fazer. Abr.

Filha do Vento disse...

adorei este post! quero muito conhecer córdoba, fascinante..

Graça e Paulo Doutel disse...

Excelente viagem para para apenas 5 dias! As fotos são óptimas. Conhecemos pessoalmente Aracena (a gruta das maravilhas é mesmo de uma rara beleza), Córdoba com a sua famosa mesquita e Granada com a impressionante Alhambra. Vale mesmo a pena visitar.
Esta viagem mostra como a civilização islâmica já foi muito avançada. É pena que agora esteja em retrocesso...